Papa a padres: busquem intimidade com Deus para exercer o ministério
- 09/02/2026
Em carta enviada a uma assembleia presbiteral em Madri, Leão XIV refletiu sobre desafios do tempo presente e deu conselhos aos sacerdotes
Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Papa Leão XIV abraça padre na última audiência jubilar em 20 de dezembro de 2025 / Foto: Maria Grazia Picciarella/SOPA Images via Reuters
A Santa Sé publicou nesta segunda-feira, 9, uma carta do Papa Leão XIV destinada ao presbitério da Arquidiocese de Madri, na Espanha. O texto foi escrito por ocasião da Assembleia Presbiteral “Convivium” realizada entre os dias 9 e 10 de fevereiro.
O Pontífice iniciou sua mensagem reconhecendo o compromisso dos sacerdotes com seu ministério presbiteral, pontuando que este serviço, por vezes, desenvolve-se em meio ao cansaço e situações complexas das quais apenas Deus é testemunha. Diante disso, desejou que suas palavras transmitissem proximidade e alento aos presbíteros e que o encontro vivido favoreça a escuta sincera, a comunhão verdadeira e a abertura à ação do Espírito Santo.
Refletindo sobre os tempos atuais, o Santo Padre observou que a Igreja é chamada a uma reflexão serena e honesta, à luz da fé, para reconhecer os desafios e as possibilidades que o Senhor apresenta. “Nesse caminho, torna-se cada vez mais necessário treinar o olhar e praticar o discernimento, para que possamos perceber com mais clareza o que Deus já está operando, muitas vezes de forma silenciosa e discreta, em nosso meio e em nossas comunidades”, pontuou.
Olhar sobre o mundo contemporâneo
Leão XIV lançou um olhar sobre a mudança cultural profunda que o mundo tem sofrido. Ele chamou a atenção para os “avançados processos de secularização”, uma crescente polarização no discurso público e a tendência a reduzir a complexidade da pessoa humana, interpretando-a a partir de ideologias parciais e insuficientes.
“Nesse contexto, a fé corre o risco de ser instrumentalizada, banalizada ou relegada ao domínio do irrelevante, enquanto se consolidam formas de convivência que dispensam qualquer referência transcendente”, alertou o Papa. Neste contexto, destacou o progressivo desaparecimento de referências comuns para a sociedade.
Leão XIV ressaltou que as propostas dominantes com que se tentou interpretar o destino do homem, longe de oferecer uma resposta suficiente, deixaram, com frequência, uma sensação maior de cansaço e vazio. “Precisamente por isso, constatamos que muitas pessoas estão começando a se abrir para uma busca mais honesta e autêntica, uma busca que, acompanhada de paciência e respeito, está conduzindo-as de volta ao encontro com Cristo”, afirmou.
O ministério sacerdotal
Este cenário tem indicado, segundo o Papa, o perfil de sacerdote que a Igreja precisa neste tempo. Trata-se de homens não definidos pela multiplicação das tarefas ou pela pressão dos resultados, mas que se configuram a Cristo. São homens capazes de sustentar seu ministério baseados em uma relação viva com o Senhor, nutrida pela Eucaristia e expressa por uma caridade pastoral marcada por uma doação sincera de si.
“Não se trata de inventar novos modelos ou redefinir a identidade que recebemos, mas de propor novamente, com renovada intensidade, o sacerdócio em sua essência mais autêntica – ser alter Christus –, deixando que Ele molde nossas vidas”, enfatizou.
Para ilustrar este perfil que descreveu, o Santo Padre sugeriu a imagem da Catedral de Madri. Ele pontuou que as catedrais existem, assim como o sacerdócio, para conduzir o ser humano ao encontro com Deus e à reconciliação com os irmãos. A fachada é o primeiro elemento que se vê, mas não mostra o todo; antes, convida o homem a adentrar no mistério. Da mesma forma, o sacerdote não deve se exibir, mas também não deve se esconder. “Toda a sua vida é chamada a apontar para Deus e a acompanhar o passo em direção ao Mistério, sem usurpar o Seu lugar”, frisou.
Ao chegar ao umbral, prosseguiu Leão XIV, compreende-se que não convém que tudo adentre no seu interior, pois se trata de um espaço sagrado. “O sacerdócio também se vive assim: estando no mundo, mas sem ser do mundo. O celibato, a pobreza e a obediência situam-se nesta encruzilhada; não como uma negação da vida, mas como forma concreta pela qual o sacerdote pode pertencer inteiramente a Deus sem deixar de caminhar entre os homens”, explicou.
Celebrar os sacramentos com dignidade e fé
O Papa acrescentou ainda que a catedral é um lugar comum, onde todos têm lugar. A Igreja também é chamada a ser assim: uma casa que acolhe, protege e não abandona. Em relação às colunas que sustentam a edificação, elas também representam que a vida sacerdotal não sustenta-se sozinha, mas baseia-se no testemunho apostólico recebido e transmitido pela Tradição da Igreja, protegido pelo Magistério.
O Pontífice citou que, antes de chegar ao presbitério, a catedral mostra lugares discretos, mas fundamentais: a pia batismal e o confessionário. “Nos sacramentos, a graça se revela como a força mais real e eficaz do ministério sacerdotal”, frisou. “Celebrem os sacramentos com dignidade e fé”, exortou, “conscientes de que o que neles se produz é a verdadeira força que edifica a Igreja e que eles são o fim último para o qual todo o nosso ministério está ordenado”, acrescentando que os sacerdotes também precisam beber desta fonte.
Por fim, Leão XIV destacou o altar, local onde se atualiza o sacrifício de Jesus por meio das mãos dos homens. “No tabernáculo permanece Aquele que vocês ofereceram, confiado mais uma vez aos seus cuidados. Sejam adoradores, homens de profunda oração, e ensinem o seu povo a fazer o mesmo”, concluiu.
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